Por que sempre esperar que outros venham me salvar? Eu sou a minha própria salvadora! — disse Liang Chenxi.
Na primeira vez em que apareceu, ela lidou com uma situação inesperada que a ameaçava com uma calma impressionante, passando diante dele com elegância. No reencontro, mostrou-se implacável e cruel ao humilhar a mulher ajoelhada diante dela, exibindo-se arrogante e desafiadora, seu sorriso desabrochando como uma flor. No terceiro encontro, seus olhos estavam marejados de lágrimas, mas, mantendo as costas eretas, afastou com firmeza a mão gentil que ele lhe estendia.
Diziam que ela era traiçoeira e pérfida, que possuía um coração venenoso como o de uma víbora; o mundo era vasto, e ninguém era capaz de compreendê-la.
Dizem os rumores que, na cidade de S, existem dois grandes tabus. O primeiro diz respeito à família de Liang Chenxi. O segundo, a ele... um homem que jamais sorri, solteiro, mas com um filho, alguém que, por vontade própria, se exilou no estrangeiro por muitos anos. Seus traços são frios e austeros, sua postura grave e silenciosa; à primeira vista, parece cortês, mas na realidade é insondável.
— Falam de mim pelas costas, zombam de mim, mas ao mesmo tempo me temem... Chenxi, o que sou eu para você? — perguntou ele, sob a luz alaranjada do entardecer, gélido como o gelo.
Ela permaneceu ao seu lado, demorando-se antes de responder:
— Meu marido.
Ela não o amava, mas casou-se com ele. Ele não a amava, mas tomou-a por esposa. Só ao cruzar o umbral daquela casa, ela compreendeu que a família dele era um verdadeiro covil de feras. Ainda assim, já que estava ali, aceitava o desafio sem nunca se acovardar.
No início, tudo não passava de um acordo conveniente, um jogo de interesses. No entanto, ambos acabaram irremediavelmente presos, incapazes de se desvencilhar.
Mas, à medida que as verdades são desveladas uma a uma... será que dois destinos marcados por erros, ao final, poderão se encontrar no mesmo caminho?